LUCKY GIRL



Quando cheguei a casa dele, já estava na cozinha a preparar o jantar, apenas de calças de algodão cinza, em tronco nu, de costas para mim. 

Dirigi-me a ele, abracei-o por trás, beijei-lhe o ombro e encostei-lhe a face às costas. Era tão bom sentir aquele cheirinho depois de um dia de trabalho. 

Ele virou-se, mantendo-se dentro dos meus braços, e encostou os lábios nos meus. 
“Hoje trato eu do jantar, baby. Vai tomar o teu duche.” 

Assenti e tentei despachar-me o mais rapidamente possível. Vesti uma t-shirt larga dele, apanhei o cabelo e voltei para a cozinha. 
Fiquei, silenciosamente, encostada à ombreira da porta. 

Adorava vê-lo cozinhar, a forma como se mexia, os músculos das costas em sintonia com os movimentos dos braços, animado pela música que tocava de fundo, a bebericar do copo de vinho que ele gostava de ter por perto enquanto cozinhava. 

“Damn Júlia... lucky girl!”, pensei embevecida por toda aquela cena que se passava diante dos meus olhos. 

Vi que já tinha preparado outro copo com vinho, na mesa atrás dele. Peguei-o e encostei-me à bancada ao lado dele enquanto levava o vinho à boca. 
“É assim que costumas fazer isso...?” perguntei, a desafiá-lo. 
Ele apenas soltou um riso, revirou os olhos e continuou a cortar os legumes. 
Não conseguia tirar os olhos dele... 
“Pára de morder o lábio, Júlia! Quero terminar isto!” 
“Or what?”, perguntei. 
Ele, calmamente, largou a faca, passou as mãos por água, dirigiu-se a mim, tirou-me o copo da mão, apoiando-o na bancada, comprimindo-me contra a pedra fria. 
“Estamos muito confiantes hoje, não estamos, Kitty?”, perguntou com um ar sério. 
Voltei a morder o lábio enquanto desviava o olhar do dele. 

Havia algo naqueles olhos que me fazia sentir o ser mais vulnerável à face da terra, mas ao mesmo tempo, a rainha do mundo. 

Ele colocou, rapidamente, a mão por baixo do meu queixo e redirecionou o meu olhar para o dele. 
Beijou-me suavemente, enquanto descia com as mãos pelas minhas costas, passando pelo meu rabo, apertando-o com força e, num só movimento, elevou-me e sentou-me na bancada, encaixando-se nas minhas pernas. 

Voltou a beijar-me, mas desta vez com intensidade, puxando-me para ele, enquanto eu entrelaçava as pernas à volta daquele corpo que eu tanto desejava. 
Ele desceu, ajoelhou-se à minha frente, ficando com os meus joelhos por cima dos ombros e não perdeu tempo a passar a língua em mim. 
Deixei cair a cabeça para trás e não consegui conter o gemido. 

A forma como ele me beijava, me chupava, me lambia, era de me levar ao céu..., conhecia o meu corpo tão bem quanto eu, para não dizer melhor. 

Voltei a olhar para baixo e, deixando o meu corpo cair um pouco para trás, coloquei um pé em cima do ombro dele, para me deixar ainda mais exposta àquela boca maravilhosa. 
Ele, sem descolar os lábios de mim, envolveu-me as coxas com os braços e ancorou-me de forma que eu não conseguisse ter muita amplitude de movimentos. 

“Baby...”, saiu-me pela boca, sem conseguir terminar. 
Senti a língua dele entrar em mim e foi quando perdi o controlo. 
“Vou-me vir Daddy...” 

Ele não se deixou abalar e manteve-se mergulhado em mim, enquanto eu explodia na boca dele. 
Beijou-me uma das coxas, de forma suave, e levantou-se. 
Envolveu-me nos braços dele, voltou a colocar-me no chão e abraçou-me até eu controlar a respiração. 

“Mais calma? Posso terminar o jantar?”, perguntou numa voz relaxante, com um laivo de ansiedade. 
Levantei o olhar, massajei-o por cima das calças e sorri. 
“Não! Quero-te dentro de mim, Daddy!” 

Os olhos dele brilharam, humedeceu os lábios e, num só movimento, rodou-me, dobrou-me sobre a pedra e afastou-me os pés com os dele. 

“Queres, gatinha?”, disse ele, com o toque ansioso na voz dele a escalar. 
Não tive tempo de responder. 
Deslizou em mim, todo de uma vez, até ao fundo do meu ser e ficou, uns instantes, quieto. 

“Foda-se...”, disse, como se tivesse esperado por aquele momento a vida toda. 

Começou a investir em mim, devagar, a saborear o momento... 

“Isso baby...”, estava-me a saber pela vida tê-lo ali, a preencher-me, a fazer-me dele. 
Apertei-o..., e ele forçou-se ainda mais fundo, aumentando a cadência das investidas, dando estocadas fortes, intensas. 
Agarrou-me no cabelo, puxou a minha cabeça para ele, parou, deitando-se sobre mim, e encostou os lábios ao meu ouvido. 

“Quero explodir a olhar-te nos olhos!”, sussurrou-me. 

Todo o meu corpo tremeu. 
Ele elevou-se, eu rodei para ele, olhei-o e ele sorriu com um ar de recusa, colocando-me uma mão no ombro. 

“Não, gatinha... percebeste mal..”, disse forçando o meu corpo a descer, até ficar ajoelhada à frente dele, com as costas para o móvel. 

Desviei o olhar e admirei a bela visão que tinha naquele momento. 

“Gatinha...?” 
“Sim Daddy?” 
“Olhos nos meus! Sempre!”, disse-me imperativamente. 

Mordi o lábio e passei a língua nele. Senti-o a latejar na minha mão..., passei a língua novamente e não hesitei em abocanhá-lo sem ressalvas. 
A pupila dele dilatou, os olhos vidrados, raiavam um desejo que eu sentia a queimar-me por dentro. 

Comecei a chupá-lo, deixando os meus lábios, a minha língua, a minha boca, traduzirem em movimentos, a paixão que sentia por ele. 
Ele perdeu o controlo, colocou uma mão entre a minha cabeça e o móvel e forçou-se para mim, fazendo-me engasgar a cada investida. 

As lágrimas que se formavam, aliviavam o calor que eu sentia na pele à medida que rolavam pela minha face e, além de me turvarem a visão, eu mantinha o olhar colado no dele. 

Ele aumentou a cadência, até que parou, bem no fundo da minha garganta e encheu-me a boca com um orgasmo delicioso. 
Apoiou as duas mãos na bancada e ficou ali um pouco a recuperar a respiração, enquanto eu fazia o mesmo, mas sentada no chão. 
Levantou-me, limpou-me as lágrimas, beijou-me carinhosamente e voltou a abraçar-me. 

“Kitty..., termino o jantar enquanto tomas outro duche?” 
“Sim, baby.” 
“Linda menina.” e beijou-me a testa. 


Escrito por Júlia Pires de Castro.
Instagram - @juliapdecastro
 


 



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