ENCONTRO ÀS CEGAS

Deram match numa aplicação de encontros, forma comum de se conhecer pessoas nos dias que correm.
Trocaram mensagens durante semanas, não de forma consistente, pois, num universo onde se trocam mensagens com várias pessoas, não é fácil chamar a atenção.
Ela não estava interessada nele, achava-o demasiado sério e enfadonho.
Um dia, ele propôs um “blind date”.
Ainda não tinham trocado fotografias, apenas caracteres; desconheciam a fisionomia um do outro.
Sem pensar muito, ela aceitou.
Desmarcaria depois, como fazia tantas vezes em cima da hora.
No dia marcado, enquanto conduzia até ao café combinado, pensou várias vezes em porque se metia em situações do género. Achava que ia ser só “awkward” e constrangedor, ter de inventar desculpas para se esquivar e ir embora.
Talvez por nunca ter estado num “encontro às cegas” e pela vontade que tinha em fazer coisas novas, os passos mantiveram a convicção de cumprir o prometido.
Tinha escolhido uma roupa discreta, precisamente porque não queria fomentar a atração. Queria apenas fazer algo que nunca tinha feito, ter o encontro e ir embora.
Eram ambos casados, e este era um encontro clandestino, mas, fundamentalmente, não estava interessada em cativar a atenção dele.
Chegou primeiro, coisa rara nela, que tinha uma relação complicada com o tempo e que habitualmente chegava atrasada a todos os compromissos.
Gostou da sensação de poder acalmar o nervosismo, ir buscar uma bebida e sentar-se numa esplanada a imaginar como ele seria.
Pouco depois, ele surgiu, de sorriso aberto e despachado.
Chegou perto dela, cumprimentaram-se com dois beijos na face, e foi buscar algo ao balcão para beber também.
A primeira impressão começou a desfazer um pouco a ideia que tinha construído dele.
Quando se sentou na sua frente e olharam olhos nos olhos, soube que havia mais ali por descobrir.
Ele dominou a conversa. Falaram ambos do que os tinha trazido até ali e quais as suas expectativas.
Ela, tímida e não à-vontade para falar abertamente ali, notou um sotaque nele.
Ainda sem saber se lhe agradava ou não, perguntou, e ele esclareceu:
— Sou de Moçambique.
Continuaram a falar sobre as suas vidas, as suas relações, algumas experiências passadas e o que gostariam de encontrar.
Tal como explícito no seu perfil na aplicação, de forma directa, disse:
— Eu já tenho alguém para andar de mãos dadas; não é isso que eu procuro.
Achou esta declaração um pouco despropositada. Também não era, de todo, o que procurava. A ela preocupava a questão de não se saber lidar bem com uma situação destas. É comum as pessoas terem fantasias extraconjugais, mas, na prática, nem sempre se sabe gerir o que isso implica. Ela já tinha a experiência de ter estado com alguém que depois teve dificuldades em lidar com o “peso na consciência” e não queria estar de novo num contexto desses.
Ele tranquilizou-a.
Às tantas, quando falavam sobre o que gostariam que resultasse dali, ele foi claro:
— Eu quero.
Olhando diretamente nos olhos dela, de forma assertiva.
Ela sorriu discretamente e tentou desconversar. Não queria dar uma resposta inequívoca, teve medo de se arrepender depois, quis pensar melhor.
Levantaram-se pouco depois, caminharam alguns metros lado a lado. Ela teve a sensação de se chegar naturalmente demasiado perto dele, surpreendendo-o, e afastou-se.
Despediram-se.
Já sozinha, enquanto caminhava para o carro e conduzia para o próximo afazer da agenda, pensava:
— Ora, isto foi inesperado, totalmente oposto ao cenário que tinha traçado.
Umas horas mais tarde, voltaram às mensagens e ele, sem expectativas, de forma apenas provocatória, lançou:
— Sexta-feira queres encontrar-te num motel?
Para seu espanto, a resposta veio positiva.
A troca constante de mensagens até ao dia agendado serviria para combinar o encontro.
A excitação estava ao rubro.
Na sexta-feira, aquele nervosismo que não larga.
Ele diz:
— Estou nervoso.
Ela responde que:
— É natural.
Mas, de alguma forma, o saber que sentem o mesmo acalma-a.
Encontram-se à porta de um estabelecimento comercial e seguem depois os dois no carro dela.
Não é fácil dominar a ansiedade, mas fazem conversa no caminho até ao local proibido.
Na entrada, o carro parou demasiado afastado do quadro digital que permite selecionar o quarto pretendido e obrigou-a a esticar-se pela janela. Ele aproveitou para lhe sentir o rabo. Ela olhou para ele e sorriu. Gostava deste teasing, que contribuía para sacudir a inquietação e ajudava à cumplicidade.
A cancela abriu e procuraram a garagem do quarto selecionado. Com a agitação, ela atrapalhou-se no estacionamento, tendo de corrigir a trajetória da marcha à retaguarda, de forma a conseguir arrumar o veículo no espaço respetivo.
Desligou o carro e subiram as escadas até ao quarto.
Ele apercebeu-se de que não tinha proteção, mas disse que ia ligar para a receção para entregarem.
Antes, chegou perto dela e beijou-a. Ela correspondeu, entenderam-se no beijo, e ele acalmou.
Com a agitação, aliada a beber muitos líquidos, ela necessitava de usar as instalações sanitárias. Com medo que o beijo escalasse rapidamente, apesar de adorar estes primeiros momentos, interrompeu:
— Não precisavas de ligar a pedir preservativos?
— Sim, estamos só a “namorar”.
Ela gostou desta expressão, “namorar”. Achou que revelava uma valorização e um cuidado com um momento que não deixava de ser casual, mas, mais uma vez, reforçava a ligação entre os dois.
Quando saiu da casa de banho, deparou-se com ele semi-deitado, encostado à cabeceira da cama, já sem os sapatos e sem a blusa.
Dirigiu-se para ele e sentiu confiança para fazer algo que sempre tinha querido fazer: subiu para cima dele, pôs uma perna para cada lado do corpo dele, começou a tirar a parte de cima e, sem terminar, não resistiu a beijá-lo. Sentindo aprovação da parte dele, intensificou os beijos e os gestos.
De repente, ele vira o jogo e deita-a na cama. Tira-lhe a saia e as cuecas que tinha escolhido para a ocasião e encosta a boca à sua cona. Ela fecha os olhos e deixa-se levar. Ele lambe-a com cuidado e chupa-a com precisão, enquanto explora o clítoris dela. Sensações maravilhosas que a fazem gemer, produzindo sons bem característicos. Inesperadamente, ela chega ao orgasmo em pouco tempo. Tinha sempre dificuldades em vir-se quando estava acompanhada com alguém, por isso surpreendeu-se de ter acontecido tão rapidamente.
Depois de recuperada, era a vez dela.
Com ele deitado, simula tirar-lhe as calças, mas deixa-o terminar a tarefa mais eficazmente. Com ele já despido, aproximou-se do seu caralho e sentiu um perfume que a cativou.
Gostava de fazer oral, mas sobretudo em órgãos que a atraíssem. Começou a passar a língua, devagar, provocando. Gostava de se demorar na exploração. Simular que ia aos pontos principais, mas primeiro massajear as coxas com as mãos e a língua, sentir o peito, respirar no pescoço, beijar a maçã de Adão, a marca do pecado. Lentamente, fazer aproximações à cabeça do caralho, passar a língua nas virilhas. Humedecer bem esse membro viril com a saliva. Passar a língua na coroa da glande, fazer um anel com os dedos e passar os dedos ao de leve, como se fosse um espremedor de laranja suave. Reter-se nos colhões, dando-lhes a atenção muitas vezes esquecida, lambendo, chupando com meiguice, massajeando com as mãos. E, depois de muitos rodeios, concentrar-se finalmente no membro principal. Chupar ligeiramente com a boca, primeiro só na cabecinha. Depois ir mais a fundo. Devagar. Ir com a boca para baixo, com o caralho engolido dentro dela, com uma mão a acompanhar o movimento de cima para baixo. Intensificar, aumentar a velocidade.
Sentir a reação dele, ouvir os gemidos, perceber o que causa mais excitação.
Já com as emoções a ferver, ele interrompe, coloca o preservativo e, em cima dela, penetra-a de uma só vez. Ela gosta dos murmúrios e dos fragores e da forma como ele investe nela. Adora os dois corpos entrelaçados, os olhares e o caralho a ir e vir dentro dela. De seguida, ele põe-na de quatro. Ela mergulha o peito no colchão e empina o rabo. Ele faz umas aproximações do caralho à cona, até se afundar dentro dela. Entra e sai de mansinho, até não se conseguir escapar mais à intensidade e à urgência do momento. Movimentos rápidos, acelerados e potentes, até ele se acabar dentro dela. Ela adora o orgasmo dele. Os sons e a expressão dele e sentir que o causou.
Já recuperado do êxtase, ele olhou para ela de boca aberta e ar espantado e disse:
— Uau.
Com uma expressão que indiciava:
— Que raio foi isto que acabei de viver? Que comboio é este que me atropelou agora?
Ela não soube responder.
Depois, sentaram-se ambos, encostados nas almofadas, na cabeceira da cama, e começaram a conversar, tentando conhecer-se um pouco melhor.
Ela ficava sempre na expectativa do que seriam estes intervalos entre rounds e qual seria a disposição dos envolvidos.
Para ela, estes momentos também eram importantes. Podiam significar estreitar laços. Não gostava de foder só por foder. Gostava de sentir empatia por aquela pessoa e, preferencialmente, conexão.
A conversa ia animada e, enquanto falava, de forma natural, ele passa algumas vezes a mão pela perna dela, continuando a dialogar.
Tentando disfarçar os efeitos que aquilo tinha nela, olhou para ele, fazendo um esforço por se concentrar na conversa entre os dois.
Às tantas, ele puxa-a para ele e beija-a com intenção. Rendida, já de cona molhada, ela entrega-se com paixão. Ele passa os dedos na cona dela, sente a excitação que pulsa entre o meio das pernas dela e sorri:
— És uma tesão.
Puxa-a mais para si, senta-se e senta-a em cima dele. Frente a frente, com as pernas entrelaçadas e beijos ardentes, ele ajuda-a a subir e a descer enquanto engole o seu caralho. Ela aperta a cona na subida e alivia na descida, de forma a intensificar as sensações. Sem esperar, deita-a na cama, sobe as pernas dela e encaixa-as em cima dos seus ombros, e fode-a com tesão.
Querendo perdurar o prazer, ele deita-se de costas e ela sobe para cima dele, cavalgando-o com fervor.
Suados, ele parte novamente para cima dela, penetrando-a impiedosamente até atingir o clímax final.
Tinham passado três horas e continuavam sem saber os nomes um do outro, mas isso não impedia que o entendimento entre os dois se fosse formando.
Ele disse:
— Há muito tempo que não tirava três horas para foder.
Quando se despediram, ela partiu sem expectativas. Já tinha tido alguns encontros sem grande continuidade.
Nem ela sabia que aquele era só o início de uma história com muitos episódios.
Autora anónima
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